Paulo Mendes da Rocha, o arquiteto brasileiro que recebeu o Leão de Ouro da Bienal de Veneza

Paulo Mendes da Rocha é um dos maiores nomes da arquitetura moderna brasileira, capixaba nasceu no dia 25 de outubro de 1928, em uma família de engenheiros. Seu pai foi professor de “Engenharia Naval e Recursos Hídricos”, no colégio Politécnico de São Paulo (POLI).Mas, contrariando a tradição da família, em 1954, Mendes da Rocha entrou no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Logo após formado, ele já estava lecionando na faculdade de arquitetura da FAU, (obra de Vilanova Artigas), com quem também participou da Escola Paulista, um movimento de arte voltado para a arquitetura funcional, que de acordo com o artigo do site Viva Decora descrevem como uma arquitetura “crua, limpa, clara e socialmente responsável”.

A primeira, das muitas premiações que o arquiteto recebeu ao longo dos anos de vida, foi o prêmio na VI Bienal Internacional de São Paulo pela autoria do Ginásio do Clube Atlético Paulistano. Depois disso continuou atuando na área, e ao longo dos anos 60 participou de diversos projetos ligados às escolas da rede pública de São Paulo.

Ginásio do Clube Atlético Paulistano

Ginásio do Clube Atlético Paulistano

 

Ainda de acordo com o artigo, o arquiteto diferentemente de Niemeyer, se dedicava mais às construções privadas do que públicas, porque acreditava que a cidade pertencia à aqueles que a habitavam, e não aos governantes. Acrescentando ainda que, prova disto é que: “em parceria com Artigas e Fábio Penteado, projetou um conjunto habitacional para 50 mil pessoas, em Guarulhos, que ficou conhecido como “Zezinho Guimarães Prado”.

Mestre notável na carreira arquitetônica, dedicado a sustentabilidade em seus projetos, Paulo Mendes da Rocha acabou influenciando toda uma geração de estudantes na FAU com seus pensamentos e projetos. Sua carreira acadêmica foi interrompida quando cometeu o erro que muitos na sua época cometeram: discordar do governo ditatorial e manifestar-se publicamente em relação à este desagrado. Em consequência disso, ele foi afastado da USP em 1969.

Após 11 anos afastado das sala, o artigo de Viva Decora ressalta que ele pode regressar: “com a anistia, em 1980, Paulo Mendes da Rocha retorna a FAU, onde se manteve lecionado até o ano de 1999. Nesse período e nos anos que se seguiram, projetou obras marcantes, sempre caracterizadas pelo uso da técnica para transformar a topografia e as estruturas já existentes em prol de uma obra que integrará seu uso ao entorno, graças ao engenho humano.

Mesmo após se aposentar como professor, Paulo Mendes da Rocha não deixou de ser influência, se tornando um legado vivo para acadêmia, e exemplo de arquiteto para os modernistas. No próximo tópico, mostraremos fragmentos de duas das entrevistas mais significativas que o arquiteto deu nos últimos anos sobre arquitetura moderna. Confira a seguir.

Palavras do autor

Em entrevista à Andrea Macadar, do informativo acadêmico VitruVius, Paulo Mendes da Rocha responde à seguinte pergunta: Qual a opinião do artista sobre o papel da arquitetura moderna?

O Brasil foi descoberto em 1500. Está condenado a ser moderno. […] Eu acho que a questão fundamental da arquitetura é resolver problemas. Portanto, se você quiser dizer assim, que qualidade a arquitetura deve ter, imprescindível, se tivesse que dizer uma só qualidade, eu acho que ela deve ser “oportuna”. Estamos em cima desse planetinha, girando perdidos no universo. Agora, ninguém discute mais isso.

Já para o jornalista Tom C. Avedaño, que realizou uma entrevista para o El País com o arquiteto revisita à respeito do objetivo da arquitetura, ele esclareceu que:

[…] Bom, qual é o objeto, o objetivo da arquitetura? Eu poderia dizer: “amparar a imprevisibilidade da vida”. Há quem pense que o arquiteto faz, no sentido dos aspectos funcionais da questão, algo para que as pessoas se comportem de determinado modo. Não. A arquitetura apenas para entendidos é sempre um desastre. Tem que ser entendida por qualquer um. Quando se faz uma casa para esse infame mercado, não se está fazendo uma casa para ninguém. O músico terá um piano, o criador de passarinho terá 10 gaiolas, e depois de alguns anos vão vender para outra pessoa. A casa se transforma. No fundo, a arquitetura somos nós, e uma cidade é feita mais dos comportamentos dos homens do que das construções. A arquitetura ampara essa imprevisibilidade da vida.

Agora que você já conhece um pouco sobre como pensa o artista, e sua trajetória vamos mostrar algumas de suas obras mais famosas.

Obras de Paulo Mendes da Rocha

Em 2015 Paulo Mendes da Rocha recebeu o Leão de Ouro da Bienal de Veneza pelo conjunto de sua obra. Confira alguns destaque a seguir:

 

 

 

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